segunda-feira, 24 de março de 2008

conversa

_ Eu acho que o mundo é dividido entre as pessoas que são egoístas e confessam que são; e as pessoas que são egoístas.

_ Eu sou egoísta.

_ Eu também sou egoísta, mas 98% das pessoas dessa faculdade "não" sõ egoístas.

_ É verdade.

_ Eu tenho uma teoria do egoísmo. Sabe Foucault com a teoria do poder?

_ Sei.

_ Então.

_ Hum.

_ Não é como a dele.

_ Hahahahaha

_ Mas falando sério... tudo é estrategicamente confabulado pra mascarar o egoísmo, mas todas as relações são egoístas. Tipo o trabalho, a família, os amigos, e até o amor... Ah, esquece.

_ Não para. Eu tava viajando na sua teoria.. continua.

_ Não quero mais.



Ele já havia aprendido a conviver com aquele martírio de não perguntar com entusiasmo as coisas que o deixava entusiasmado. E ela, naturalmente, responderia sem entusiasmo, porém de uma forma interessantíssima e única. Tinha a mania de dizer coisas interessantíssimas como quem dizia " Me passa o sal, por favor". Ela sabia ser desconfortável. Ela sabia desconfortá-lo.

Isso o deixava desconfortável, principalmente ao fingir quem não havia desconforto algum.

Os dois, ali, sentados. Ela em mais um diálogo; ele num dos mais interessantes.

Porque ela tem essa mania de interromper suas teorias, e olhar pro nada? Como se não fosse fazer diferença alguma teriminá-las pra ele, com ele.

Ela só queria não pensar.

Desistiu de se entusiasmar e falou algo que provavelmente a cutucaria.



_ Por que essas pessoas gastam saliva falando futilidades?



"Essas pessoas" estavam na cantina, rindo de alguma besteira. Dessas que se falam em cantinas de faculdades.

Olhou fixamente para eles. Olhou para ele.

Ela tinha um modo de olhar desconfortante, devorador, invasivo





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