domingo, 30 de agosto de 2009

Olhei para ele sorrindo. Estava fixo em uma pessoa que parecia perdido na multidão. Alguém que já foi perdido por ele. Perderam juntos mais de dois anos e agora pareciam perdidos quando estavam juntos, mas separados. Era uma festa na praia. Fariam aquilo muito bem, se fosse meses atrás. Mas tudo estava perdido. Olhar alguém que já foi tão próximo como se olhasse um desconhecido não é coisa fácil de se fazer. Abracei-o por trás, estava gelado. Dei-lhe um beijo no pescoço de alfazema e perguntei baixinho:
_ E as borboletas no estômago?
_ Estão voando.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Qual é o momento certo?
A necessidade de saber é algo intrínseco à racionalidade, presente divino (?) exclusivo a nós, humanos. No entanto evoluímos nosso instrumento racional a tal ponto de descobrir que, na verdade, nada é 100% certo. Conclusão peculiarmente interessante, já que não existe o NADA, muito menos algo 100%. A conclusão é a própria contradição da conclusão, ou seja, nunca iremos chegar a conclusão alguma sobre qualquer coisa, pois conclusão exige um mínimo de certeza e a provavel incerteza sobre qualquer coisa é justamente a conclusão. E então... para que questionar se a resposta que receberemos é inevitavelmente questionável?
Acreditar é a nossa doença auto-imune.
Definitivamente, (boa) comida é uma coisa muito importante na minha vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

algo de novo?
nada de novo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

_ Lina, você é engraçada.
_ Hahahahahahaha, eu sei que sou engraçada.
Ela sorriu, lembrando da frase que ouviu toda a tarde.
_ Mas eu to falando sério. Não engraçada de engraçada de dá risada. É engraçada de se observar, de curiosa.
_ Ah. Mas eu sou engraçada mesmo.
_ Não moça, mas é outro tipo de engraçada.
_ Como assim?
_ Não sei explicar. Eu enxergo nas pessoas, quando elas conversam, ou brincam, ou falam, sinais no corpo e na expressão que mostram quando mentem ou quando são sinceras. Eu leio a linguagem do corpo.
_ Hum..
_ Mas você é diferente. Simplesmente você não me passa nada. Eu olho pra você e não vejo nada.
_ ... tipo inexpressiva?
_ Não, moça, não é inexpressão. É que você é tão espontânea e faz parecer que tudo o que você fala é 100% verdade... você passa um ar de sinceridade que eu nunca vi antes em ninguém.
_ Nossa.
_ Assim como pode ser tudo 100% verdade... pode ser tudo 100% mentira. Eu não sei. Eu simplesmente não sei. Eu olho pra você e não sei o que pensar, e eu to falando essas coisas de você sem nem te conhecer direito, sei lá, me desculpe.
_ Ok. Tudo bem. Você adivinhou, eu sou uma pessoa muito sincera. Engraçado você me dizer isso... sendo que a gente quase nem se conhece.